Comentário Final Sobre o Ciclo de Palestras: A Arte Está Morta?




                        Foi com a pergunta-título que encerramos o último dia de palestras sobre o fim da história da arte. Durante dois dias revisamos a história desde Lascaux, até o homem moderno do Renascimento. Analisamos os diferentes aspectos da arte: como ela se relacionava com a sociedade, com os artistas, para que servia a arte. Chegamos no século XX e na Arte Moderna, a partir desse momento da história, de grandes transformações, momento onde idéias e valores surgiram e nos influenciam até hoje, culminamos no fim da história da arte, considerado pelo filósofo e crítico de arte americano, Arthur Danto, como tendo acontecido em 1962 em decorrência da obra "Brillo Box" do artista Andy Warhol.
            Passeamos pela história, discutimos a arte moderna, e chegamos no fim da história da arte, que caracterizou-se pela necessidade dos questionamenos no processo de reconhecer um objeto qualquer como sendo uma obra de arte. O que torna a arte viva hoje, e de certo modo o que fez a arte moderna, foram as discussões, as polêmicas, as dúvidas, a constante investigação intelectual sobre a arte, e tudo isso é fundamental para que a arte continue viva na contemporaneidade. É importante estarmos o tempo todo discutindo arte, e também estando junto delas, porque é esse sentimento que surge em conjunto que mantém a arte viva, mesmo depois do fim de sua história. O crítico de arte americano Clement Greenberg disse por volta dos anos de 1970 que eram as discussões a respeito do gosto, e as divergências insolúveis, que criavam um sentimento de arte, e esse sentimento fazia a arte existir.
                        Concluímos as palestras refletindo sobre um paradoxo surgido na contemporaneidade, e que diz o seguinte: se as obras de arte hoje necessitam da palavra, da razão, das explicações dos artistas, curadores e críticos, para serem compreendidas, e ao mesmo tempo ela é esses questionamentos, essas discussões, como pode a arte continuar existindo com aquela sua parte tão fundamental, com a sua parte essência, do qual o filósofo Hegel diversas vezes cita em sua estética, e que faz ela ser o que é? Como pode a arte continuar existindo como um objeto, uma coisa, que se apresenta contendo "algo a mais", ou seja, sendo fruto de um processo que é em parte intuitivo, se a arte de hoje depende de um processo sobretudo racional, que exclui boa parte necessária da intuição, para se afirmar como arte? Onde foi parar a intuição, responsável pelo "algo a mais" na arte? A arte se tornou filosofia? Essas questões foram levantada com intuito de propagarem-se para além do momento da palestra. Por fim quando foi perguntado se “a arte estava morta?”, uma pessoa que se encontrava entre os ouvintes respondeu: "A arte não essa morta, esta em constante mudança, se ela existiu desde os tempos das cavernas, vai continuar existindo.". 
                        Essas palestras são uma idéia do Museu de Arte de Santa Maria, para manter viva a discussão sobre a arte, bem como de instigar e propor o pensamento sobre a arte contemporânea e seus problemas. Essas palestras são na verdade o começo de um projeto que pretende convidar as pessoas para irem ao museu conversar, debater, falar a respeito da arte, mantendo vivo esse sentimento que Greenberg referiu-se.

Élle de Bernardini,
Agosto de 2014

Santa Maria - RS

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